GOVERNO E PORTO DE LISBOA VÃO TENTAR CRIAR PAZ SOCIAL


A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, disse esta terça-feira, 22 de Dezembro, no Parlamento que na próxima segunda-feira, 28 de Dezembro, vai reunir, em separado, com sindicato dos estivadores e operadores do porto de Lisboa, no sentido de "tentar criar a paz social dentro do Porto de Lisboa".

A ministra, chamada à Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas para prestar esclarecimentos sobre o abandono das operações por armadores que habitualmente ali operavam, sublinhou que em causa está "um conflito laboral grave entre operadores e sindicatos".

Sublinhando que, ainda que não caiba ao Governo nem à Administração do Porto de Lisboa (APL) competências de mediação de processos laborais, garantiu que ambas as entidades vão "promover as condições para que haja aproximação" pela importância desta infra-estrutura para o país.
 

Ana Paula Vitorino revelou ainda ter sido informada pela presidente da APL, Marina Ferreira, que por determinação do governo anterior o conselho de administração da APL estava arredado de qualquer negociação em matéria laboral.
 

A ministra adiantou que a APL reuniu com operadores na passada quinta-feira, dia 17, que manifestaram abertura para voltarem à mesa negocial, e na sexta, dia 18, com o sindicato que também mostrou essa abertura. No entanto, acrescentou, "dois dias depois, disseram que não teriam essa abertura por terem ficado desagradados com o comunicado dos operadores".
 

"Não vou fazer mediação. Vou apelar fortemente para que exista aqui a consciência que negociação é aproximação entre as duas partes", afirmou a responsável, acrescentando que "tem de haver abertura para salvar os postos de trabalho porque no limite podem estar em risco os trabalhadores e os operadores".
 

Em sua opinião, "num conflito laboral tão grave como este, a culpa não pode ser só de um lado".

As greves dos estivadores, que neste momento estão marcadas até 21 de Janeiro do próximo ano, são para Ana Paula Vitorino, "o corolário de um processo de três anos mal conduzido".

De acordo com a ministra, nas concessões da Liscont e Sotagus em 2012 houve 139 dias de greve, em 2013 um total de 189 dias, em 2014 foram 45 dias e em 2015 totalizou 68 dias de greve. Algo que, sublinhou, teve  "implicações muito complicadas quer nas escalas canceladas quer dos movimentos perdidos".

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