Porto de Lisboa já perdeu 3,5 M€ com a TUP Carga
“Sou profundamente contra a alteração das taxas portuárias” – Marina Ferreira
O porto de Lisboa vai ter, este ano, uma quebra de receita direta de 3,5 milhões de euros, correspondente à diminuição da TUP Carga em 20 por cento em relação aos valores praticados em 2012. A medida foi implementada pelo Governo, no âmbito do plano “5+1”, com o intuito de reduzir os custos portuários, aumentar a competitividade dos portos nacionais e as exportações. Em entrevista exclusiva à Transportes em Revista, Marina Ferreira, presidente da Administração do Porto de Lisboa, revelou que esta quebra de receitas compromete a tesouraria do porto. «Sou profundamente contra a alteração das taxas portuárias», afirmou a responsável, sublinhando que «para ganharmos competitividade, temos de ter investimento, nomeadamente em modernização e agilização de procedimentos. Se os portos deixarem de ser sustentáveis desse ponto de vista - e Lisboa, este ano, vai ter uma quebra de receita direta de 3,5 milhões de euros, correspondente a uma diminuição da TUP Carga - isso compromete-nos».
De acordo com Marina Ferreira, em Portugal, os portos já têm custos agravados por serem responsáveis pelas infraestruturas, o que não acontece no norte da Europa, onde «as taxas portuárias visam compensar apenas a exploração e não o investimento». Além disso, as taxas portuárias correspondem a menos de cinco por cento da fatura portuária e a cerca de 0,3 por cento do frete, pelo que a presidente do porto de Lisboa duvida que a redução de taxas se traduza num aumento efetivo da competitividade: «Estamos a pôr em causa a sustentabilidade e a competitividade dos portos, sem ter de facto uma relação direta de vantagem para a Economia». Nesse sentido, Marina Ferreira defende que a a aposta deve passar «pelo aumento de produtividade e de eficiência dos terminais». Referindo como exemplo de competitividade o porto de Leixões, que tem uma capacidade de movimentação de carga de cerca de 25/30 contentores por hora, afirma que «isso sim faz baixar os custos, porque o navio fica retido menos tempo e têm menos turnos de trabalho... Isto é eficiência, é competitividade, é redução de custos, é ambição e é garantir emprego, porque é garantir navios».
Em declarações à Transportes em Revista, a responsável revelou ainda que, devido ao conflito laboral e aos impactos das greves na operação portuária, a movimentação de carga caiu para cerca de 12/13 contentores por hora e «houve navios que seguiram viagem com metade da carga por descarregar», o que «é gravíssimo». Para Marina Ferreira, isto significa «perda de competitividade e de confiança, e, a confiança é o valor chave de um porto. Lisboa tem de ser capaz de demonstrar que é um porto de confiança, que os navios podem vir e que há garantias, que há tempos de serviço, que há qualidade de serviço».

Transportes em Revista

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