Governo procura soluções para resolver problemas financeiros dos portos da Madeira
Conceição Estudante, secretária Regional da Cultura, Turismo e Transportes da Madeira referiu que o porto do Funchal se tornou insustentável e defendeu ser preciso encontrar soluções para os problemas financeiros da Administração dos Portos da Madeira.

“O Governo [Regional] está a tentar encontrar soluções para resolver os problemas financeiros da Administração dos Portos da Madeira (APRAM) (…) temos que encontrar soluções e estamos a trabalhar nelas”, referiu em entrevista à agência Lusa.

Recordando que o porto do Funchal registou, nos primeiros três meses de 2013, uma quebra superior a 20%, em comparação com o mesmo período de 2012, tendo recebido menos 59.842 passageiros, a secretária Regional adiantou que o Governo Regional está a estudar soluções para resolver o problema da insustentabilidade económica da Administração dos Portos da Madeira (APRAM).

A APRAM “é insustentável financeiramente com este modelo”, referiu Conceição Estudante, acrescentando que “agora é preciso ver como se vai alimentar financeiramente a APRAM para que ela consiga ir resolvendo as suas questões de capital”.

Segundo os dados da APRAM, esta regista receitas anuais na ordem de 11 milhões de euros, estando obrigada a suportar um serviço de dívida à volta de 200 milhões.

Mas a responsável insular sublinhou que “tudo tem solução”, referindo que o Governo Regional é sócio da APRAM e que a situação de insustentabilidade financeira é do conhecimento da República, sendo um problema que “não se desenquadra do programa de ajustamento económico e financeiro”.

“Nesse âmbito terá que ser encontrada uma solução que não está definida totalmente” neste momento, realçou, defendendo ser necessário “criar condições de estabilidade financeira para a APRAM”.

A responsável insular salientou que “a sustentabilidade financeira do serviço da dívida não é possível”, assegurando que “a APRAM consegue receitas para a sua operacionalidade, mas não para fazer face à dívida dos investimentos que vêm de trás”, relacionada com as obras nos portos do Funchal, Caniçal e Porto Santo.

Na altura em que assinala o primeiro centenário das obras do porto do Funchal (19 agosto de 1913), depois de ter conseguido nos últimos anos aumentar o número de escalas e passageiros, a APRAM regista quebras superiores a 20 por cento.

A secretária regional considera que a infraestrutura “está a sofrer a mesma influência que todos os portos nesta área do Atlântico, que é a deslocalização para a Ásia de navios de cruzeiro, fruto das modas, das influências e do crescimento que aquele lado do globo está a ter”.
Segundo a governante madeirense, também “não há produto que, estando no mercado há tantos anos, consiga manter taxas de crescimento sempre em crescendo”.

Por isso, para Conceição Estudante, “o porto do Funchal está numa fase de consolidação da sua posição” à semelhança do que acontece com as infraestruturas portuárias das ilhas Canárias.

Ainda assim, a governante mantém o otimismo, considerando que, “daqui a dois anos, tudo isto é capaz de retomar um outro ritmo, porque há perspetivas de novas operações para este roteiro Atlântico”.

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