Onze interessados no terminal de cruzeiros de Lisboa
Já onze empresas/consórcios levantaram o procedimento concursual para a concessão do terminal de cruzeiros do porto de Lisboa e, ao que a Transportes em Revista apurou, alguns dos interessados são empresas portuguesas.
O concurso, que pressupõe um investimento de 22 milhões de euros, foi lançado formalmente no passado dia 6 de junho e pressupõe duas fases: qualificação prévia e apresentação de propostas por parte dos concorrentes que cumpram os requisitos de capacidade financeira (capital próprio no mínimo de 10 milhões de euros; ou ativo líquido ou ativos sob gestão no mínimo de 20 milhões de euros) e de capacidade técnica (experiência mínima de cinco anos na atividade de cruzeiros). Já a adjudicação será feita com base em três critérios: Compromisso de tráfego – mínimo de 550 mil passageiros (45%); Melhor valor da taxa de passageiro - mínimo 0,20€ (40%); e Prazo da concessão – mínimo de 20 e máximo de 35 anos (15%). «Todos os critérios são objetivos e alcançáveis através de fórmulas matemáticas», explicou Andreia Ventura, membro do Conselho de Administração do Porto de Lisboa à Transportes em Revista. «Pretende-se que não haja nenhuma subjetividade na escolha, de forma a não existir conflitualidade e demora no desenrolar do concurso», afirma a responsável.
Recorde-se que o porto de Lisboa recebeu, em 2012, 314 escalas e 522.604 passageiros, tendo registado, neste último ponto, um crescimento de sete por cento. Os resultados foram, no entanto, penalizados com a onda de greves, que levou ao cancelamento de 17 escalas e à perda de 25 mil passageiros. Ainda assim, a passagem destes cruzeiros por Lisboa representou receitas de cinco milhões de euros para o porto (dez por cento da receita total) e de 66,3 milhões de euros para a cidade, em despesas dos passageiros e tripulação em alimentação, transportes, visitas e compras. Aquando da cerimónia de lançamento do concurso, Sérgio Monteiro sublinhou que este projeto «é importante pelo investimento e pela criação direta de postos de trabalho, mas sobretudo porque dá dinamismo a um segmento em que o porto de Lisboa tem vindo a investir nos últimos anos, que é o mercado de cruzeiros». Por outro lado, o governante destacou o papel do segmento turnaround na economia, adiantando «que poderá vir a ser representativo no futuro». Segundo explicou, com a conquista de passageiros que começam e acabam a sua rota em Lisboa «duplica, em média, a receita que cada um dos passageiros deixa em Lisboa, aumenta as dormidas, aumenta as visitas à cidade, aos restaurantes, aos museus, cria dinamismo económico. É este tipo de investimento, criador de valor, que este Governo tem procurado implementar».
Entretanto, nos primeiros seis meses do ano, o porto de Lisboa cresceu 2 por cento no número de escalas, registando um total de 150. “O aumento do número de escalas registado neste período foi impulsionado quer pelo crescimento das escalas em turnaround – que passaram de 20 em 2012, para 33 em 2013 – quer pelo aumento das escalas em interporting, que perfizeram um total de 16 contra as 6 registadas durante o primeiro semestre de 2012”, explica o porto. Ainda este ano, e caso as previsões se confirmem, a atividade dos cruzeiros no porto da capital registará, segundo a APL, “um crescimento de 13 por cento ao nível das escalas, e de sete por cento ao nível dos passageiros. Prevê-se, assim, um total de 355 escalas e de 560 mil passageiros, o que, ao verificar-se, significará novos recordes para o porto de Lisboa, ao nível das escalas e dos passageiros”.

Transportes em Revista 10-7-13

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