ADFERSIT preocupada com a decisão do governo em avançar com o terminal de contentores na Trafaria
A ADFERSIT, em comunicado divulgado esta segunda feira, emitiu a sua posição relativamente ao terminal de contentores da trafaria, defendedo uma análise cuidada do projeto e das suas consequências.
 A associação refere que "sempre considerou a Trafaria como o local natural para a expansão do porto de Lisboa, dadas as excelentes condições de que dispõe do ponto de vista da hidráulica marítima e fluvial, incluindo águas profundas. No entanto considera precipitada a recente decisão do Governo de construir um novo terminal de contentores na Trafaria" e explica a sua posição apontando três razões.
 A ADFERSIT considera que a Trafaria "não dispõe atualmente de acessos terrestres. Como o porto de Lisboa serve essencialmente o mercado local da Grande Lisboa, 70% do qual se situa ao norte do Tejo, são fundamentais as ligações rodoviárias ao norte do Tejo. Atualmente a
 Trafaria não dispõe de uma ligação rodoviária, próxima e de qualidade adequada, à margem norte do Tejo".
 A segunda razão prende-se com a inexistência de estudos necessários à adequada fundamentação da escolha, "incluindo a comparação com alternativas, nomeadamente o porto de Setúbal. Este encontra-se a uma distância da ponte da Vasco da Gama inferior ao terminal da Trafaria, e pode ser dragado para permitir fundos de 15m com um custo muitíssimo inferior ao da construção do terminal da Trafaria. Assim serviria navios de calado semelhante e até um pouco superiores aos que atualmente escalam o porto de Lisboa, e com área de expansão", refere o comunicado.
 Por último, defende que "Portugal precisa de uma estratégia para atrair os grandes navios porta-contentores, para evitar que as empresas portuguesas continuem a precisar de utilizar os grandes hubs marítimos do norte da Europa e do Mediterrâneo nas suas ligações aos destinos mais afastados da Europa, onerando as nossas trocas comerciais e reduzindo a competitividade das nossas empresas e da nossa economia. Por isso deveria ser objectivo da política portuária criar condições para o desenvolvimento de pelo menos um hub marítimo português. Para este efeito a massa crítica e a dimensão são importantes, pelo que no início é preferível concentrar a capacidade num único porto, que atualmente só pode ser Sines. O terminal da Trafaria poderá justificar-se numa fase posterior, em particular depois de construir uma travessia rodoviária Algés-Trafaria para servir o mercado local da Margem Norte do Tejo com escalas diretas de grandes navios e em função evolução da procura e necessidades futuras."
 Desta forma, a ADFERSIT defende a concessão a privados da construção do terminal e dos acessos, caso o governo decida avançar, a obrigação dos camiões que procurem o" novo terminal a ter sistemas electrónicos de controlo, por forma a penalizar os que pretendam utilizar a ponte 25 de Abril nas horas de maior tráfego", debate sobre a transferência dos terminais de contentores atuais do porto de Lisboa e acrescenta que "estas transferências, se e quando se efetuarem, deverão ser alvo de um plano integrado de mudança que permita a gradual adaptação das cadeias logísticas de forma faseada ao longo de vários anos, evitando-se a perda de competitividade da vasta indústria de exportação que os terminais suportam e a possível perda dos respetivos postos de trabalho."

Cargonews online 24.06.2013

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