Portos deixaram de vender complexidade e passaram a vender serviços
Terminou o Logistics&Suply Chain Meeting 2012, o maior evento de Logística e Supply Chain no nosso país, que reuniu líderes da cadeia de abastecimento, ao nível da indústria, retalho e serviços logísticos em Alverca. Promovido pela Logística Moderna, o evento contou com 70 especialistas a intervir em 48 conferências, 5 mesas-redondas, 9 ‘case-studies’ e mais de 2 mil visitantes.
Entre as diversas intervenções o destaque vai para a mesa-redonda que debateu “A importância do Transporte Marítimo nas Cadeias de Abastecimento” e que contou com as intervenções de Matos Fernandes (APDL), José Simões (APS), João Silva (Nacex) e Joaquim Azeredo (Garland).
Matos Fernandes (na foto), presidente da Administração do Porto de Leixões (APDL), começou por dar ênfase à evolução registada nos últimos anos nos portos, os quais “deixaram de vender complexidade e passaram a vender serviços”, destacando o papel extremamente importante que os sistemas de informação tiveram neste âmbito. Porém, Matos Fernandes refere que muitas vezes a aparente facilidade dos processos e da atividade portuária não passa de uma ilusão de óptica, uma vez que “um porto não deixou de ser um nó muito complexo na cadeia logística, constituindo-se como um espaço de encontro de diversas atividades”, muitas vezes de áreas que nada têm a ver umas com as outras.
Um dos desafios atuais dos portos passa, segundo o presidente da APDL, por uma evolução “no sentido da transparência”, algo que está a ser tido em boa conta no porto de Leixões. “Um bom exemplo é a criação do Dia do Porto de Leixões, que tem levado muitas pessoas a visitar e conhecer o porto por dentro, mas também temos apostado na transparência ao nível do negócio, com o serviço ‘Siga Contentor’”, salienta Matos Fernandes.
Por fim, no que diz respeito a desafios para o futuro, o presidente da APDL apontou baterias para dois pontos que considera essenciais: A “transferência para a cadeia logística dos ganhos de produtividade dos portos” e a “organização da factura portuária”.
Em representação de Lídia Sequeira, presidente da Administração do Porto de Sines (APS) que não pôde marcar presença no evento, esteve José Simões. Desafiado a comentar a realidade atual do projeto da Janela Única Portuária (JUP), o membro da APS referiu que este é “um processo já consolidado, embora tenha sido um projeto complexo e que demorou bastante tempo”. Ainda sobre a JUP, José Simões considerou “notável” o facto de este ter sido um projeto que conseguiu que “todas as entidades estatais envolvidas, direta ou indiretamente, se tenham juntado para criar um ‘back-office’ organizado que se apresente aos clientes dos portos”.
Salientando a importância da JUP para os terminais de contentores nacionais, que muito contribuíram para acelerar o seu processo de instalação nos portos nacionais, José Simões lembra que “o segmento de carga contentorizada é o que mais cresce nos portos nacionais e os terminais de contentores têm conseguido bater recordes de forma consecutiva”, acrescentando que a JUP também contribuiu para que “em média, dois dias e meio antes dos navios chegarem ao porto de Sines já estão emitidas autorizações para que esses atraquem e voltem a partir”.
Por fim, e com os olhos postos no futuro, José Simões realça que o porto de Sines está a trabalhar para que “o processo da JUP se estenda ao ‘hinterland’ e ao ‘foreland’”.

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