Estudo das Comunidades Portuárias mostra ambição de fazer 200 milhões de toneladas em 2040

Com o intuito de refletir sobre o sistema logístico nacional e de analisar o contexto marítimo-portuário – projetando o futuro num enquadramento competitivo global – a PwC levou a cabo uma síntese da opinião das Comunidades Portuárias sobre o mote «Uma Visão Estratégica a 25 Anos da Rede Portuária Portuguesa do Continente», perspectivando, assim, a Logística em Portugal e centrando-a no mercado Europa + América + África.

Numa compilação de dados, o estudo, baseado nas reflexões das Comunidades Portuárias, defende que os portos deverão orientar-se por princípios de eficiência e de eficácia, de modo a proporcionar à Cadeia Logística a redução de custos e a compressão do tempo de trânsito.

Munida de uma abordagem «ambiciosa», a política portuária terá que perseguir a intermodalidade, numa articulação com outros meios de transporte (rodoviário, ferroviário, fluvial e aéreo), de modo a estimular soluções integradas de transporte e garantir aos carregadores uma vantagem competitiva na utilização da Rede Portuária dos portos portugueses.

De forma concomitante, alerta o estudo para o facto de que a oferta dos serviços portuários deverá focalizar-se nos factores de bloqueio dos processos, desenvolvendo um conjunto de medidas que permitam eliminá-los – neste caso, as Novas Tecnologias de Informação devem ser incentivadas como suporte à revisão dos processos e contribuir para a eliminação de bloqueios e dinamização competitiva do setor dos portos.

O documento contextualiza o comportamento do mercado nacional no cenário mundial, sublinhando a importância do Oceano Atlântico, que, como é afirmado, deverá «ser encarado como de importância estratégica primordial enquanto mercado alvo no posicionamento dos portos de Portugal no futuro», quer pelo trânsito vertical de cargas, quer também pelo trânsito axial do Hemisfério Norte entre a Costa Leste do Continente Americano e o Continente Europeu, ambos, num esforço unificador Europa + América + África.

Assim, tirando partido da posição geográfica, harmonizando processos alfandegários, adensando a rede ferroviária nacional e a articulação com a logística rodoviária e implementando os projectos do PETI3, do GTIEVA e do ‘Portugal Logístico’, os portos comerciais portugueses poderão almejar a concretização dos 200 milhões de toneladas de carga movimentada no ano de 2040, desígnio estratégico de longo prazo defendido pelas Comunidades Portuárias dos Portos Portugueses do Continente durante o seu 3º Encontro.

Uma análise estratégica do Sistema Logístico e Portuário

Na visão do estudo, «a infra-estruturação logística em Portugal apresenta-se deficitária», existindo um forte desequilíbrio modal e territorial, que se traduz num elevado custo do processo logístico em Portugal; a ser mantida a situação atual, os riscos poderão ir desde a indisponibilidade de soluções que permitam ganhos de competitividade ao mercado, passando pela não obtenção de ganhos ambientais e redução de consumos e pela crescente dificuldade de afirmação dos operadores logísticos nacionais, até ao desequilíbrio modal e à inadequada utilização e rentabilização da capacidade portuária e ferroviária.

Para contrariar este atual contexto de insuficiência competitiva, Portugal deverá fomentar a intermodalidade (valorizando as infra-estruturas e redes existentes e criando condições para o desenvolvimento do transporte ferroviário e o aproveitamento da capacidade portuária instalada), promover ganhos ambientais e transformar, numa real alavancagem competitiva, a oportunidade que advém da sua posição geoestratégica, sobretudo «através da promoção de estruturas que potenciem o desenvolvimento dos transportes, nomeadamente o alargamento do hinterland dos portos».

Urge então, em termos complementares, criar espaços de concentração de atividades logísticas (situados estrategicamente em relação às infra-estruturas e redes existentes), potenciar os grandes eixos de acessibilidades rodoviária e ferroviária (num princípio intermodal), complementar a oferta portuária com infra-estruturas e serviços logísticos (na dinâmica relacional entre o Portugal Atlântico e os mercados da Europa, América Latina e África), responder de forma eficaz às necessidades de redução de tempos e custos dos ciclos dos fluxos dos produtos e criar importantes vantagens competitivas ao nível da gestão da cadeia de abastecimento.

Por tudo isto, explica o documento que «torna-se crucial a criação de uma Rede Nacional de Plataformas Logísticas, que deverão estar inseridas nos grandes eixos de tráfego internacional, ser dotadas de boas acessibilidades às principais redes de transporte, estar integradas nas redes gerais de infra-estruturas e serviços tecnologicamente mais avançados e poder servir os principais centros de produção e de consumo».

A análise não esquece também a consolidação do processo de integração na Rede Transeurop

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