CEO garante: Yilport tem planos ambiciosos para o terminal de contentores de Alcântara

A Gare Marítima de Alcântara foi esta sexta-feira palco de uma conferência que incidiu sobre o tema 'Soluções Inovadoras na Relação Porto-Cidade'. O evento teve como um dos pontos altos a intervenção de Christian Blauert, CEO da Yilport Holding, que analisou a 'Solução Multimodal no Terminal de Contentores de Alcântara'.

Ora, como não tem sido hábito ouvir falar responsáveis da Yilport Holding (que pertence ao Grupo Yildirim e controla agora o negócio portuário da TERTIR) não foi de estranhar que a sala da Gare de Alcântara se tenha enchido de participantes - mais ainda se a este orador juntar nomes como o de Luís Figueiredo, do Grupo ETE (ver outra peça publicada hoje).

E Christian Blauert deixou muitas palavras elogiosas e ambiciosas relativamente ao Terminal de Contentores de Alcântara. «Alcântara é um terminal visto por nós como uma excelente oportunidade», começou por referir o responsável da Yilport, apresentando um plano ambicioso de expansão e crescimento. O plano conta com duas fases de expansão do Terminal, uma primeira para o lado contrário às águas do rio e uma segunda a jusante do Terminal. Aprovadas e concretizadas as duas fases de expansão, o Terminal de Contentores de Alcântara passaria dos atuais 350 mil TEU's anuais para os 650 mil TEU's de capacidade.

Ainda sobre o projeto de expansão do Terminal, Christian Blauert acrescentou ainda que a Yilport está «a falar com a Administração Portuária», enaltecendo a postura da nova administração que vê agora mais proactiva.

«Há potencial para fazer de Lisboa [do Terminal de Alcântara] um Terminal de serviço de alta qualidade a nível global», referiu ainda o responsável da Yilport, salientando porém que para atingir esse desígnio é necessário mudar o Porto de Lisboa e «a forma como é hoje visto». E isso consegue-se, segundo Blauert, com uma aposta em três áreas vitais: com investimento (que a Yilport parece disposta a fazer), com estabilidade e com produtividade.

Prioridade também às questões da intermodalidade

Para os planos ambiciosos que a Yilport Holding tem para o Terminal de Contentores de Alcântara, há perfeita consciência de que a conectividade multimodal ao Terminal é de extrema relevância – sobretudo atendendo à localização do mesmo, na densa malha urbana da cidade de Lisboa.

Christian Blauert mostrou-se bastante ciente dessa necessidade e, sobre as ligações rodoviárias ao terminal, referiu ser necessário «melhorar a gestão de tráfego de camiões», dando o exemplo do que é feito no porto de Hamburgo onde existem «parques para camiões fora da cidade», ligados a sistemas tecnológicos que dão conta dos momentos de entrada em porto – descongestionando assim a cidade e reduzindo as emissões poluentes dentro da mesma.

Também a conectividade ferroviária é tida como vital por parte da Yilport. Sobre esta, o seu CEO lembrou a necessidade de conciliar vontades e investimentos: «Não basta a Yilport criar dentro do Terminal de Contentores o maior terminal ferroviário do mundo…».

Por fim, mas não menos importante, o transporte fluvial, «opção cada vez mais utilizada no Norte da Europa». Ora, sobre este modo de ligar o Terminal de Contentores, Christian Blauert destacou as suas valências e o potencial do mesmo para «retirar camiões das estradas».

«Mas para operar uma barcaça pequena posso ter de utilizar a minha grua mais cara e o meu operador de grua mais caro», ressalvou Blauert, acrescentando que o fluvial só pode «competir com o camião» se for competitivo ao nível de custos. E também aqui a Yilport falou em soluções, nomeadamente o projeto inovador ‘Autonomous Barge Operating System’ que pode ser instalado em Alcântara, reduzindo os custos adicionais de uma operação portuária extra como a referida acima.

Aumento do hinterland consegue-se com «muito trabalho»

Passar de 350 mil TEU’s anuais para 650 mil é uma meta ambiciosa da Yilport para o Terminal de Contentores de Alcântara, não só porque por detrás desse aumento estará um investimento avultado necessário (que a Yilport parece disposta a fazer) mas também uma necessária captação de carga que aproveite ao máximo a capacidade disponível.

Sobre essa captação de carga adicional, Christian Blauert deu o exemplo do aumento do hinterland e dos ganhos de carga a Espanha. Algo que, relembra, já se vê noutros países, nomeadamente na Alemanha onde o principal porto é… o porto holandês de Roterdão – que capta cargas que, por natureza, deveriam ser de Bremerhaven ou Hamburgo.

«Há que identificar para onde vai a carga, como poderemos ser mais competitivos que esses portos e como captar essa carga com uma oferta melhor» - eis a receita do CEO da Yilport, que destacou um factor-chave: «muito trabalho»!

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