As 5 principais administrações portuárias registaram lucros agregados de 173 milhões de euros entre

No capítulo das contas, os portos portugueses destacam-se entre as empresas públicas: as cinco principais administrações portuárias registaram lucros agregados de 173,7 milhões de euros entre 2010 e 2014, números que originam uma média anual de 34,7 milhões de euros, segundo dados reunidos pelo Conselho Português de Carregadores (CPC). A notícia foi avançada pelo Diário Económico no dia 11 de Fevereiro, através de uma peça jornalística de autoria de Nuno Miguel Silva.

Habituados a uma realidade de gestão tendencialmente deficitária no contexto público, os portugueses encontram na gestão portuária um exemplo que choca frontalmente com as restantes contas públicas - assim, entre 2010 e 2014 (faltam ainda processar os dados de 2015) vislumbra-se uma singularidade no Sector Empresarial do Estado (SEE) no que toca às administrações portuárias, que, ao contrário da generalidade dos exemplos, não acumulam passivos nem baqueiam perante défices técnicos sucessivos.

Como atesta o artigo do Diário Económico, o óbvio salta à vista: estes dados corroboram que o comportamento das administrações portuárias, o dinamismo do maritimo-portuário e o índice das exportações (ligado à movimentação das cargas) têm sido motores que sustentam a economia portuguesa nestes anos difíceis, de contracção económico-financeira. Entre as cinco principais administrações, é de enaltecer, primeiramente, o Porto de Leixões, que registou lucros de 67,4 milhões de euros entre 2010 e 2014, seguido de Sines, com lucros de 45,3 milhões.

Na terceira colocação desta análise surge o Porto de Setúbal, apresentando lucros de 29,1 milhões de euros, com o Porto de Lisboa a chegar em quarto na lista, com 21,9 milhões de euros. Aveiro situou-se nos 10 milhões de euros de lucro. Ainda assim, nem tudo são rosas no que à estrutura das administrações portuárias: Pedro Viegas Galvão, presidente do CPC, é da opinião de que o regime de concessões vigente deve dar origem a um regime de licenças, rumo à "maximização da competitividade da economia".

Pedro Viegas Galvão afirmou também, ao Diário Económico, que apesar do cenário positivo quanto aos lucros das administrações portuárias, esses proveitos não estão a ser reintroduzidos na economia e no sector portuário e na veia exportadora; são, ao invés, directamente canalizados para os cofres das Finanças. “O que nós defendemos é que haja um ‘pass through’para a economia (...) A única forma de alterar o actual estado de coisas é as pessoas sentarem-se para negociar e tentar encontrar uma plataforma de entendimento. Se nas PPP rodoviárias se conseguiu, não vejo como é que nos portos não se consegue", comentou.

© APIBARRA 2007 - Todos os direitos reservados   |   Produzido por ETNAGA